Embate entre vereadores da base governista e da oposição na Câmara Municiapal de Fortaleza
A aprovação de uma moção de solidariedade ao senador Camilo Santana (PT) na Câmara Municipal de Fortaleza, nesta terça-feira (27), provocou um intenso embate entre vereadores da base governista e da oposição, antecipando o clima da disputa pelo Governo do Ceará nas eleições de 2026.
A moção foi aprovada por 28 votos favoráveis e oito contrários. O requerimento foi apresentado por parlamentares petistas, inicialmente articulado pelo vereador Aglaylson (PT), em resposta às declarações do ex-ministro e pré-candidato ao Governo do Estado Ciro Gomes (PSDB).
Durante discurso na tribuna, o vereador Marcelo Mendes (PL) criticou o ex-governador Camilo Santana e mencionou supostos desvios de recursos destinados ao combate à pandemia da Covid-19 no Ceará, sem apresentar provas. Segundo ele, verbas enviadas pelo Governo Federal durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro teriam sido usadas para finalidades diferentes das previstas inicialmente. A declaração gerou reação imediata da base aliada. O vice-presidente da Câmara, vereador Adail Júnior (PDT), deixou momentaneamente a presidência da sessão para rebater as acusações. Em tom firme, o parlamentar defendeu a atuação dos governos estaduais e municipais durante a pandemia e destacou a ampliação da rede de UTIs no Ceará.
“O Ceará foi referência nacional no enfrentamento à pandemia. É preciso reconhecer o trabalho realizado por Camilo Santana, Roberto Cláudio e Sarto Nogueira”, afirmou. Adail também criticou setores da oposição e parlamentares ligados à direita, afirmando que faltam ações concretas em favor da população fortalezense. A vereadora Adriana Almeida (PT) classificou as acusações como graves e cobrou a apresentação de provas. A parlamentar afirmou que Ciro Gomes mudou o discurso em relação a Camilo Santana, lembrando que, no passado, o ex-ministro já havia elogiado a gestão do petista.
“Há pouco tempo, Ciro dizia que Camilo era o melhor governador da história do Ceará. Agora faz acusações sem apresentar provas”, declarou.
Adriana também mencionou a condenação recente de Ciro Gomes por violência política de gênero contra a prefeita de Crateús, Janaína Farias (PT).
Pela oposição, o vereador Jorge Pinheiro (PSDB) criticou a aprovação da moção e afirmou que o debate político na Câmara estaria sendo conduzido de maneira desigual. Segundo ele, a maioria governista tende a aprovar manifestações favoráveis ao PT, mas não daria o mesmo tratamento a aliados da oposição. Já o vereador Soldado Noélio (União Brasil) relacionou o debate a casos recentes envolvendo prefeitos ligados ao PSB investigados ou cassados por suspeitas de envolvimento com organizações criminosas. O parlamentar citou o ex-prefeito Bebeto do Choró e o ex-prefeito Braguinha, de Santa Quitéria, ambos filiados ao partido presidido no Ceará por Eudoro Santana, pai de Camilo Santana. O episódio evidenciou o acirramento político em torno da sucessão estadual de 2026. Enquanto o governador Elmano de Freitas (PT) já foi lançado como pré-candidato à reeleição com apoio de Camilo Santana, Ciro Gomes articula alianças com nomes como Capitão Wagner, Roberto Cláudio e André Fernandes, o clima de confronto na Câmara Municipal mostra que a corrida eleitoral de 2026 já começou nos bastidores da política cearense.
