Ciro Gomes critica decisão do TSE e classifica disputa judicial sobre chapa como “tentativa de golpe judicial”

Candidato ao Governo do Ceará afirma que decisão sobre a participação do União Brasil em sua chapa provocou prejuízos à campanha e diz que manterá agenda eleitoral nos próximos dias

O candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), voltou a se manifestar sobre a disputa judicial envolvendo a presença do União Brasil em sua chapa. Em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (30), o tucano classificou os acontecimentos recentes como uma “tentativa de golpe judicial” e afirmou que, apesar de uma decisão ter sido posteriormente revertida, sua campanha já teria sofrido prejuízos.

Segundo Ciro, a decisão que suspendeu temporariamente a participação do União Brasil na coligação afetou o tempo de propaganda eleitoral e a estratégia de comunicação da campanha. O candidato questionou como os impactos provocados pela decisão poderão ser compensados a poucos dias da votação.

“A decisão caiu, mas o prejuízo já aconteceu. Nossa campanha perdeu tempo de televisão e teve sua comunicação com o povo prejudicada em um momento decisivo. Quem devolve esse tempo? Quem repara esse prejuízo político a poucos dias da votação?”, afirmou.

Disputa envolve União Brasil e PP

O episódio está relacionado à decisão da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, de integrar a coligação que apoia a candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Ceará.

A composição da federação passou a ser questionada judicialmente por dirigentes ligados ao grupo governista. A disputa envolve, de um lado, a participação da federação na aliança de Ciro e, de outro, a posição de lideranças dos dois partidos no cenário político cearense.

A federação União Progressista é comandada no Ceará por Capitão Wagner (União), que disputa uma vaga ao Senado pela oposição. Individualmente, União Brasil e PP são presididos no Estado por Moses Rodrigues e AJ Albuquerque, respectivamente, ambos integrantes da base de apoio ao governador Elmano de Freitas (PT).

Decisões no TSE

A discussão chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na segunda-feira (28), o ministro Floriano de Azevedo Marques concedeu uma liminar que determinava restrições relacionadas a verbas e à propaganda do grupo oposicionista.

Dois dias depois, nesta quarta-feira (30), o ministro André Mendonça derrubou a decisão anterior, restabelecendo a situação que havia sido alterada pela liminar.

O episódio provocou reação de Ciro Gomes, que criticou a primeira decisão e questionou o momento em que a medida foi tomada, considerando a proximidade do encerramento da campanha eleitoral.

Em sua manifestação, o candidato também fez críticas a setores que, segundo ele, estariam articulados contra sua candidatura. Ciro citou ainda uma relação familiar envolvendo a defesa de Júnior Mano e Cid Gomes, seu irmão e senador, ao questionar a decisão judicial.

“Os que se consideram os poderosos do Ceará conseguiram que um ministro sozinho do TSE, cuja filha é advogado do Júnior Mano, suplente do senador (e irmão de Ciro) Cid Gomes – ai, que dor –, tentasse impedir a nossa candidatura ao governo do Ceará”, declarou.

Ciro afirmou ainda que a decisão ocorreu depois do registro da chapa e a poucos dias do fim da campanha. Segundo o candidato, a medida representaria uma interferência indevida no processo eleitoral.

Candidato diz que manterá agenda de campanha

Apesar da disputa judicial, Ciro Gomes afirmou que pretende manter o ritmo de atividades públicas até o encerramento da campanha. O candidato também convocou apoiadores e militantes para intensificarem a presença nas ruas.

“Eu estou enfrentando a máquina do governo federal, a máquina do governo estadual, a prefeitura de Fortaleza e outras tantas prefeituras do interior”, afirmou.

A disputa em torno da composição da chapa acrescenta mais um capítulo à corrida eleitoral no Ceará, marcada por alianças entre diferentes grupos políticos e por disputas judiciais relacionadas à formação das chapas e coligações.