Ceará registra forte aumento nos casos de dengue em 2026
O Ceará enfrenta um avanço preocupante da dengue em 2026. Até o início de agosto, foram registradas 36.393 notificações e mais de 11 mil casos confirmados da doença em todo o Estado.
Os números representam um crescimento expressivo em relação ao mesmo período de 2025. No ano passado, eram cerca de 25 mil notificações e 4.856 casos confirmados. Na comparação, houve aumento de 91,7% nas notificações e de 172,7% nos casos confirmados.
Os dados são do IntegraSUS, plataforma de transparência da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), e também constam em levantamento realizado com base no Informe Operacional de Arboviroses divulgado pela Pasta.
O cenário preocupa as autoridades de saúde. Atualmente, 34 municípios cearenses apresentam incidência alta ou muito alta, situação considerada de risco para a ocorrência de epidemias.
Litoral Leste entre as regiões de maior atenção
Entre os municípios classificados com alta ou muito alta incidência de casos confirmados estão Aracati, Pereiro, Jaguaretama, Palhano, Jaguaribara, Itaiçaba, Jaguaribe e Icapuí, no Litoral Leste.
Ao todo, 25 municípios apresentam transmissão considerada ativa e sustentada. Além das cidades do Litoral Leste, também estão na lista municípios das regiões Norte e Sul do Ceará.
A maior concentração de notificações está nas Superintendências Regionais de Saúde Norte e Fortaleza, responsáveis por aproximadamente 62,5% dos registros.
Já a região Sul apresenta a maior proporção de casos confirmados, com 34,4% das confirmações, além do maior índice de positividade nos exames laboratoriais, de 42,7%.
DENV-2 é o sorotipo predominante
De acordo com o informe da Sesa, o aumento da positividade dos exames analisados pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen) começou no fim de maio e continuou em trajetória de crescimento até a segunda quinzena de julho.
O maior volume de casos confirmados foi registrado entre 22 de junho e 1º de agosto.
Os exames apontam ainda que o sorotipo DENV-2 é predominante no Ceará, presente em 85,7% das amostras analisadas. O DENV-1 aparece em 13,6% dos exames, enquanto o DENV-3 representa 0,7%.
Apesar da baixa presença do DENV-3, a circulação desse sorotipo chama a atenção das autoridades devido à sua dispersão geográfica.
Casos graves e mortes
Somente em 2026, o Ceará registrou 376 casos de dengue com sinais de alarme e 19 casos classificados como dengue grave.
Até o momento, 18 mortes foram confirmadas e outras cinco permanecem sob investigação.
Os óbitos foram registrados nas regiões de Fortaleza, Norte, Sul e Litoral Leste.
Como reconhecer os sintomas
A dengue está presente de forma contínua no Ceará desde 1986 e permanece como um dos principais problemas de saúde pública relacionados às arboviroses.
Os principais sintomas incluem febre alta de início repentino, dor de cabeça, prostração, dores musculares e articulares e dor atrás dos olhos.
Embora a maioria dos pacientes evolua para recuperação, a doença pode apresentar formas graves e levar à morte.
Por isso, a orientação das autoridades de saúde é procurar atendimento médico diante do surgimento de febre alta acompanhada de outros sintomas, principalmente quando houver sinais de agravamento.
